Ser mulher, imigrante, 40+ e ainda estar passando pela transição menopausal já não é nada fácil… E tudo pode ficar ainda mais confuso quando metade do que ouvimos são “meias-verdades” ou “completas mentiras” que se espalham sem nenhum tipo de evidência ou fundamento.
Mas, como nesta semana celebramos o “Dia da Mentira”, preciso desmascarar alguns mitos que, entra ano e sai ano, permanecem na “boca do povo” e podem estar te impedindo de viver esse momento da vida com muito mais plenitude e leveza.
Você já deve ter escutado que, depois dos 40, a mulher entra em uma fase que chamamos de “transição menopausal”. E, junto a isso, não é incomum escutar brincadeirinhas do tipo:
“Diga adeus pra sua libido” …
“Sua intimidade sexual vai pro ralo” …
“Se prepare para as dores sem fim pelo corpo” …
“Agora é só ladeira abaixo” …
E por aí vai…
Mas será que essas e outras frases realmente são verdades e que a única opção é “aguentar firme”? Ou será que, de algum modo, todos estes e os demais sintomas que surgem nos 40+ podem ser evitados?
Fato é que todas essas crenças, que vão se repetindo de geração em geração, provocam medo, vergonha e até mesmo procrastinação no cuidado que deveríamos ter com a gente mesma…
E isso acontece porque, quando acreditamos nesses tipos de mentiras, deixamos de lado a busca por mais informações, por um apoio especializado e por uma boa conversa com uma amiga que esteja ou já tenha passado pelo mesmo…
E, ainda mais complexo, é quando deixamos de lado a luta pelos direitos que eu e você temos como imigrantes de receber assistência e melhor acolhimento no sistema de saúde do país em que hoje vivemos.
O bom é que, para tudo, existe um primeiro passo. E é por acreditar na força da informação e do conhecimento compartilhado como verdadeiras ferramentas de empoderamento feminino que hoje vou listar os 5 mitos mais comuns que precisamos deixar para trás como mulheres 40+:
A transição menopausal é o fim da vida como mulher: NÃO, ISSO NÃO É VERDADE!
O prazer, a libido e a autoestima podem ser resgatados com novas formas de se relacionar, novas formas de carinho, com autoconhecimento e, inclusive, com diversas técnicas integrativas.
- Sentir fogachos, insônia e irritabilidade é normal: DEFINITIVAMENTE NÃO!
Estes sintomas são comuns, mas não são naturais. Ou seja, senti-los não é algo somente da sua cabeça, nem “loucura”. Na verdade, estes são sinais do seu corpo pedindo mais atenção e equilíbrio hormonal, o que é totalmente possível de ser tratado.
- Toda mulher passou ou vai passar por isso igual você: NÃO, NÃO É BEM ASSIM!
Cada mulher é única. E aqui estou me referindo à genética, ao estilo de vida e também ao contexto cultural em que fomos criadas e hoje vivemos. E, cientificamente falando, inclusive com base na tese que desenvolvi na minha última pós-graduação em saúde integrativa, posso afirmar que todos estes fatores citados influenciam diretamente na intensidade e na forma como cada mulher lida com os sintomas dessa fase.
- Não existe tratamento fora da reposição hormonal: TAMBÉM PRECISO DISCORDAR!
Hoje sabemos que a Medicina Integrativa oferece inúmeras soluções naturais, fitoterápicas e personalizadas, tanto para tratar como para prevenir a maior parte dos sintomas da transição menopausal… e isso ainda sem deixar de citar o importante papel que a associação desses cuidados à gestão de emoções proporciona.
- Depois dos 40 não tem mais jeito, não existe recomeço: NADA DISSO, TEM SIM!
A maturidade é um convite para olhar para dentro e se redescobrir, e é o momento mais propício para reencontrar a sua identidade, o prazer e a vitalidade. Realmente não é possível voltar a ser como éramos ou como estávamos, mas você pode mais do que isso: pode somar todas as suas experiências às suas redescobertas e novos propósitos de vida e transformar tudo isso na sua melhor versão. Acredite: essa pode ser a melhor fase da sua vida.
É bem como dizem: conhecer a verdade é libertador. Por isso é tão importante entender que o seu corpo não está em colapso, mas em transição… e todas essas mudanças afetam comprovadamente o seu biológico, mental e físico.
E é por isso que, nessa fase, o seu corpo vai “reclamar” e “exigir” mais atenção. Entenda, mulher imigrante 40+: cuidar de si não é luxo, é prioridade. E autocuidado inclui sono, alimentação, movimento e acolhimento emocional.
Não paralise a sua vida diante de tantas mentiras e mitos que podem gerar angústia e te afastar de uma condição de saúde que ultrapassa o “normal” que os exames insistem em mostrar.
Lembre-se: você não é a única que enfrenta todas estas mudanças e também não precisa passar por tudo isso sozinha. Busque se informar mais e, se necessário, busque, inclusive, ajuda especializada. Ter por perto um profissional capaz de entender a sua realidade como mulher e o seu contexto como imigrante é transformador…
E é exatamente isso que virou a chave na saúde de centenas de brasileiras que hoje moram fora do Brasil e passaram pelo Programa SobreViver a Menopausa, nosso lugar de apoio, acolhimento e troca de conhecimentos, que te ajuda a entender o seu corpo, abandonar crenças limitantes e viver com muito mais saúde, energia e leveza.
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Com carinho,
Dra. Swanie Passos
Ginecologista no Brasil – CRM 3132‑SE
Programa SobreViver a Menopausa